sexta-feira, março 28, 2008


Um ano do Incêndio Criminoso na UnB: Nada a comemorar!

Completa-se hoje um ano do incêndio ocorrido na CEU. Naquele dia, alunos africanos foram vítimas de um ato xenófobo criminoso, no qual as portas dos quatro apartamentos em que eles moravam foram incendiadas.

A funcionária do Centro de Convivência Negra, Hayamna Carvalho, lembra: "Na madrugada do dia 28 de março de 2007, os estudantes da CEU acordaram por causa do cheiro de queimado. Tinha fogo em frente às portas de quatro apartamentos. A saída era bloqueada com tijolos e os extintores foram retirados. Os estudantes africanos foram alvo de um ato criminoso de caráter racista. Felizmente, não houve feridos ou mortos."

Toda comunidade universitária ainda está chocada com o acontecimento, que teve repercussões mundiais. "Até a revista Times me entrevistou", fala Medeiros, da Direção Geral dos Serviços da Prefeitura do Campus.

As investigações policiais e administrativas já começaram. Em setembro do ano passado, três estudantes, José Francisco Rodrigues de Araújo, Roosevelt Reis e Wagner Guimarães Guedes, também moradores da CEU, foram indiciados como suspeitos. Dois processos se instalaram: a Polícia Federal começou uma investigação penal e, ao mesmo tempo, em colaboração, a UnB entrou com o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar de maneira mais rigorosa o envolvimento de três alunos no episódio. Acredita-se que, até o fim de abril deste ano, saia uma conclusão efetiva do PAD.

A precariedade das condições de moradia da Casa do Estudante Universitário é outro assunto que preocupa a comunidade acadêmica. "A CEU está caindo de pedras", condena o DCE. Hayamna Carvalho confirma: "Desde o incêndio, nenhuma reforma foi feita e ninguém pensou em uma política de convivência", o que, de acordo com ela, é um dos problemas, em parte, responsáveis pelo ato racista.

Fonte: CampusOnline
Pode me chamar de gay

Pode me chamar de gay, não está me ofendendo. Pode me chamar de gay, é um elogio. Pode me chamar de gay, não me importo de ser confundido. Ser gay me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um julgamento, é uma referência. Pode me chamar de gay, não me sinto desaforado, não me sinto incomodado, não me sinto diminuído, não me sinto constrangido.
Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente. Está dizendo que converso com ênfase. Está dizendo que sou sensível. Pode me chamar de gay. Está dizendo que me preocupo com os detalhes. Está dizendo que dou água para as samambaias. Está dizendo que me preocupo com a vaidade. Está dizendo que me preocupo com a verdade. Pode me chamar de gay. Está dizendo que guardo segredo. Está dizendo que me importo com as palavras que não foram ditas. Está dizendo que tenho senso de humor. Está dizendo que sou carente pelo futuro. Está dizendo que sei escolher as roupas.
Pode me chamar de gay. Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas dos traços. Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha. Está dizendo que danço levantando os braços. Pode me chamar de gay. Está dizendo que choro sem o consolo dos lenços. Está dizendo que meus pesadelos passaram na infância. Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama de seda.
Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou aberto e me livrei dos preconceitos. Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis. Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro. Pode me chamar de gay. Está dizendo que reinventei minha sexualidade, reinventei meus princípios, reinventei meu rosto de noite. Pode me chamar de gay. Está dizendo que não morri no ventre, na cor da íris, no castanho dos cílios. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou o melhor amigo da mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito.
Pode me chamar de gay. Está dizendo que me importo com o sofrimento do outro, com a rejeição, com o medo do isolamento. Está dizendo que não tolero a omissão, a inveja, o rancor. Pode me chamar de gay. Está dizendo que vou esperar sua primeira garfada antes de comer. Está dizendo que não palito os dentes. Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um copo de vinho. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou generoso com as perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos.
Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo, que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever. Pode me chamar de gay. Que seja bem alto.
A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo.
...
Pedro Bial, Jornalista da TV Globo.


Morte de Edson Luís: Dia de Luta para todos os estudantes do Brasil!




No dia 28 de março de 1968 a ditadura militar brasileira assassina o estudante secundarista Edson Luís. A morte do estudante foi capaz de desmascarar a face mais autoritária do regime no Brasil e deflagrou um conjunto de lutas em todo o país contra a ditadura. Em junho deste mesmo ano ocorreu a marcha dos cem mil capaz de agregar estudantes e trabalhadores na luta pela democratização do regime.

Na Universidade de Brasília vivemos um importante período de lutas contra os privilégios de uma cúpuda dirigente que que tem se beneficiado com a parceria da universidade com as fundações de apoio. Além desta forte crise, o Reitor da UnB atropelou a comunidade universitária ao aprovar de forma truculenta o REUNI (Plano de expansão feito através de decreto pelo governo federal) não permitindo um debate mais profundo na universidade.


Relembrar a morte de Edson Luís em defesa da democracia no nosso país, também significa trabalharmos para reascender a luta estudantil contra a privatização do ensino público e contra as reformas que de forma tão danosa tem prejudicado a vida da maioria da população.


Edson Luís é um exemplo que deve inspirar a todos os estudantes a lutarem contra a política nefasta e privatizante do atual governo!

terça-feira, março 25, 2008

Presidente da Finatec nega envolvimento com decoração do apartamento do reitor da UnB
Da FolhaNews
25/03/200813h57-
O presidente do Conselho Superior da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), Antônio Manoel Dias Henriques, negou hoje participação no episódio em que a entidade teria usado R$ 470 mil para mobiliar o apartamento funcional ocupado pelo reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland. Em depoimento à CPI das ONGs (organizações não-governamentais), Henriques negou envolvimento no episódio, mas reconheceu que os recursos poderiam ter sido "melhor aplicados" pela Finatec. "Como presidente do conselho superior não tive participação nenhuma na autorização dessas compras. O conselho superior tem como objetivo dar políticas gerais da fundação", afirmou. Henriques disse que não teve conhecimento dos gastos da Finatec no apartamento do reitor porque, como presidente da entidade, não era sua função tomar conhecimento de todas as despesas aplicadas pelo órgão. Segundo o Ministério Público do Distrito Federal, a Finatec teria utilizado R$ 470 mil na compra de móveis de luxo para o apartamento, além da aquisição de lixeiras, de equipamentos de TV e som, de telas artísticas e vasos com plantas diversas, assim como utensílios domésticos. Contratos No depoimento à CPI, o presidente da Finatec também rebateu acusações de que a entidade teria utilizado influências políticas para firmar contratos com municípios e órgãos públicos. Segundo Henriques, o órgão em nenhum momento usou a relação com petistas ligados ao governo federal para ampliar seus contratos no país. O Ministério Público do Distrito Federal investiga a suspeita de que administrações do PT tenham usado a Finatec como forma de estabelecer, sem licitação, contratos de mais de R$ 23 milhões com empresas pertencentes a um consultor com ligações com o PT. Segundo a Promotoria, duas empresas foram subcontratadas pela Finatec para realizar serviços, recebendo R$ 23 milhões de um total de R$ 50 milhões: a Intecorp Consultoria Empresarial e Camarero & Camarero Consultoria Empresarial. À CPI, Henriques negou que a parceria com as empresas tivesse objetivos políticos. "A Finatec tem como grande parte de seus clientes órgãos públicos, até pela localização dela, na capital federal, junto ao governo federal e várias representações de governos e prefeituras. A fundação só teve condições de captar projetos porque tinha um produto desenvolvido em parceria com a Intercorp, que lhe permitia ter expertise para buscar contratos no mercado", justificou. Henriques disse que todas as atividades da entidade cumprem a determinação legal, com aplicação de seus recursos em pesquisa e tecnologia. "Esse tipo de trabalho está perfeitamente compatível com os objetivos estatutários da fundação", enfatizou.

1º de abril
Dia nacional de luta contra as mentiras do governo


O 1º de abril será um dia nacional de luta dos movimentos sociais, populares e sindical contra as mentiras do governo. A data foi aprovada como um dia de luta contra a transposição na Conferência dos Povos do São Francisco e do Semi-árido, realizada em Sobradinho (BA), entre 25 e 27 de fevereiro. Além da mentira dos benefícios da transposição do rio São Francisco, a Conlutas também vai denunciar outras mentiras do governo e levantar bandeiras:

- Em defesa do emprego, dos salários e pela redução da jornada de trabalho!

- Por serviços públicos de qualidade! Em defesa dos direitos do funcionalismo público!

- Contra a reforma universitária e o REUNI. Em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade!

Abaixo, segue um modelo de panfleto nacional que pode ser reproduzido pelas entidades e movimentos ligados à Conlutas. As regionais devem agregar ainda as questões locais.

1º de abril: Contra as mentiras do governo Lula

Manifestações em todo o país vão transformar o 1° de abril em um dia nacional de luta contra as mentiras do governo.

Diga não à transposição do Rio São Francisco!
O Projeto de transposição do São Francisco não “vai acabar com a sede dos nordestinos”. O projeto é para satisfazer as grandes empreiteiras, que vão ganhar milhões de reais.

Esse dinheiro seria melhor investido em obras menores e mais eficientes, que respeitam o meio ambiente. A transposição do rio vai beneficiar os latifundiários e grandes produtores rurais do Nordeste, que vão receber 95% da água desviada do curso do rio.

Em defesa do emprego, dos salários e pela redução da jornada de trabalho!
A crise econômica dos Estados Unidos já começa a repercutir em nosso país e os empresários, com o apoio do governo, querem repassar a conta para os trabalhadores.

Na General Motors – GM, de São José dos Campos, os patrões querem reduzir direitos trabalhistas e implantar o banco de horas para contratar novos empregados.

A flexibilização dos direitos não garante mais empregos. Isso já foi provado para os metalúrgicos do ABC paulista, que perderam milhares de vagas de trabalho quando o seu Sindicato, filiado à CUT, aceitou a flexibilização.

Por serviços públicos de qualidade! Em defesa dos direitos do funcionalismo público!
Ao funcionalismo público está sendo imposto um ataque violento aos salários, às condições de trabalho e à aposentadoria. O governo está privatizando os serviços através das fundações estatais e das parcerias público-privadas, nas áreas de saúde, educação, ciência e tecnologia, transporte e outras. Quem depende dos serviços públicos é a população pobre. Por isso precisamos barrar os ataques aos direitos dos servidores e a privatização dos serviços.

Contra a reforma universitária e o REUNI!
A reforma universitária não está criando condições para a ampliação do acesso e permanência na universidade pública. Quem está ganhando dinheiro são os empresários do ensino superior, com a transferência de vagas para escolas de qualidade duvidosa e o pagamento das bolsas pelo governo. O REUNI privatiza o ensino público superior e, mesmo abrindo novas vagas, ataca a qualidade do ensino, com salas superlotadas, cortes orçamentários e desvios das verbas das escolas públicas.

Todas essas mentiras do governo são as diversas faces de uma única política: atacar os direitos trabalhistas, previdenciários e o serviço público, aplicando as reformas que beneficiam os banqueiros, grandes empresários brasileiros e as multinacionais.

Por isso lutamos e exigimos:

- Não à transposição do rio São Francisco

- Em defesa dos serviços públicos, dos salários e dos direitos dos servidores

- Em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade

- Contra a flexibilização dos direitos e salários, pela redução da jornada de trabalho

- Todo apoio aos trabalhadores da GM

- Em defesa do direito de greve e de manifestação

Da redação, Conlutas
www.conlutas.org.br
DA FOLHA ONLINE,

Sem concorrentes, leilão da Cesp fracassa
O leilão de privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), que ocorreria amanhã na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), fracassou. Nenhum dos participantes inscritos depositou o montante de R$ 1,74 bilhão em garantias para participar da disputa --o prazo acabou às 12h de hoje.

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O Governador Serra fracassou em sua tentativa de privatista de entregar todo o poder público do estado de São Paulo às empresas! Muito disto é fruto do impenho de lutadores sociais de todo o país contra sua forma de fazer política.
Acabar com os privilégios e defender a UnB
O afastamento imediado e definitivo do Reitor da Universidade de Brasília, a democratização de seus espaços institucionais e a saída das fundações de apoio são as pautas que hoje provocam mais debates na UnB, além dos argumentos frágeis dos defensores de Thimothy sobre "a conspiração da mídia".

Nos últimos dias a crise que paira em torno da atual cúpula administrativa da Universidade de Brasília se agravou profundamente. O primeiro passo das investigações constatou o que muitos na universidade já imaginavam, um esquema milionário que envolve a FINATEC (Fundação de empreendimentos científicos ligada à UnB). A fundação gastou várias cifras do seu farto caixa bem longe de sua finalidade essencial (estatutária), e pra piorar decorou o apartamento funcional do Reitor com uma mobília digna de um palácio real, com a justificativa de atender ao “nível da Universidade de Brasília”.

O escândalo repercutiu nos principais meios de comunicação nacionais e mobilizou diversos estudantes, professores e funcionários da instituição à protestarem contra a "gastança" do dinheiro público longe do investimento em educação e pesquisa. Com a agravante de estar bem distante da realidade que vive hoje a UnB, a universidade que possui diversos problemas de estrutura, falta de investimentos em assistência estudantil, uma moradia estudantil caótica, falta de professores, funcionários e etc. Uma infinidade de problemas poderiam ser citados e debatidos horas, pois a ausência de recursos para financiarem as universidades públicas é um problema estrutural que atualmente não parece ter uma solução, com as prioridades do Governo.

Os privilégios foram a marca encontrada nas investigações do Ministério Público do Distrito Federal, desde os gastos com o cartão corporativo da universidade, até as contas de restaurantes caros pagos com verba da Editora UnB. A indignação de estudantes de diversos cursos, e as iniciativas rápidas do DCE (Diretório Central dos Estudantes) foram capazes de mobilizar a UnB, que nas primeiras duas semanas de aula, teve três manifestações pedindo a saída de Thimothy e também das fundações ditas de apoio. Basta perguntar, quem as fundações apóiam. Estas que nos últimos anos se multiplicaram nas universidades públicas, e que só a UnB possui seis delas, que utilizam capital material, estrutural e humano da universidade e com sua estrutura jurídica permitem privilégios e abrem o caminho para burlar as licitações.

Mas para alguns professores e “nomeados” que estão enraizados há anos (décadas) na cúpula administrativa da UnB esta crise seria apenas um "ataque brutal da imprensa à UnB e até a universidade pública". Os principais defensores da atual gestão da universidade e desta tese de “conspiração” são por coincidência os que ocupam cargos altos ou os que têm os maiores financiamentos em seus projetos e pesquisas. Os atores responsáveis por esta ofensiva à UnB seriam a "direita" em aliança com o PSOL/PSTU que "forjou" esta crise institucional. O que os ideólogos da Reitoria parecem não perceber é que quase todas as forças políticas pedem a saída de Thimothy. As falas mais oportunistas do Senador do PSDB, Álvaro Dias até políticos do PT, PCdoB, PMDB e etc. A UNE (ligada ao PCdoB e PT) lançou um manifesto pedindo a saída do Reitor, oportunismo sim, mas golpe da mídia contra o ilibadíssimo Reitor da UnB, Não!
Algumas forças políticas nacionais deram uma resposta à opinião pública, só pra não deixarem de se pronunciar, outros fizeram com coerência o que sempre defenderam e pediram o afastamento do Reitor e o fim das fundações de apoio nas universidades públicas brasileiras. A “teoria da conspiração” contra Thimothy parece ser a formulação mais oportuna para frear a crise na universidade.

Estudantes, Professores e Funcionários da Universidade de Brasília estão cansados de privilégios para um grupelho de professores, que "luxam" com o dinheiro que deveria ser investido nas condições de ensino, pesquisa e extensão. Não há espaços para aqueles que tem golpeado a nossa universidade com gastança, autoritarismo, e uma política privatista e que agora quererem resumir a crise como "golpismo da imprensa nacional e de todas as forças políticas contra o Magnífico". Não é tolerável e nem aceitável que intelectuais que dedicaram suas vidas a uma construção teórica profunda cumpram este papel tão baixo, mesquinho e hipócrita!

Defender Thimothy não é defender a UnB! Defender a UnB é exigir auditoria nas contas da universidade, nas contas do CESPE e de todas as fundações. Defender a UnB é lutar pela democracia com paridade na composição dos conselhos deliberativos, nas eleições para Reitor e em todos os fóruns. Defender a UnB é não compactuar com estruturas que permitem corrupção e privilégios dessa forma exigir o fim das fundações de apoio. Defender a UnB é lutar com afinco por verbas para universidade e ter mecanismo de controle reais dos gastos. Defender a UnB é denunciar que a política educacional do Governo (Reforma, REUNI, PROUNI e etc) tem precarizado profundamente o ensino superior público brasileiro. Defender a UnB é defender a saída imediata e definitiva de Thimothy e de sua cúpula dirigente!

quinta-feira, março 20, 2008

EQUADOR
Rafael Correa apóia auditoria da dívida pública interna e externa

A partir do dia 16 de julho, será efetuada uma reunião sobre estratégia das campanhas internacionais da dívida, com uns cinqüenta delegados de todos os continentes. Os próximos meses serão determinantes para o Equador. A análise é de Éric Toussaint.
Éric Toussaint - Cadtm

A Comissão de Auditoria Integral da Dívida Pública interna e externa (CAIC) manteve uma longa sessão de trabalho em fevereiro de 2008. Durante duas semanas, de 10 a 23 de fevereiro, 10 membros equatorianos e os 6 membros estrangeiros da CAIC trabalharam sem parar para adiantar o relatório sobre a auditoria. O programa de trabalho foi organizado da seguinte maneira: três dias de reunião de cinco subcomissões (dívidas bilaterais, dívidas multilaterais, dívidas comerciais externas, dívidas comerciais internas e aspectos jurídicos), três dias de sessão plenária, dois dias de visita em terreno, uma jornada de reunião com Ricardo Patiño (ministro de Coordenação Política e presidente da CAIC), meia jornada dedicada à apresentação dos resultados provisórios da auditoria para o presidente Rafael Correa, com a presença dos ministros Ricardo Patiño, Fausto Ortiz (Finanças) e Washington Pesantes (Justiça), uma jornada completa na Assembléia Constituinte e, finalmente, uma última jornada de reunião plenária da comissão para determinar o prosseguimento das tarefas até julho de 2008.Sete ou oito membros equatorianos da comissão trabalham em tempo integral ou em tempo parcial há meses. Desde dezembro de 2007, são apoiados por uma dezena de especialistas financeiros e alguns administrativos. Muitos membros estrangeiros também colaboraram com um trabalho impressionante durante várias semanas, seja no Equador ou em seus respectivos países.Milhares de páginas de documentos relacionados com contratos de endividamento foram minuciosamente analisados de diferentes pontos de vista: jurídico, econômico, social, ambiental e político. Foram realizadas dezenas de entrevistas. Foram necessários muitos esforços e tenacidade para conseguir que certas instituições do Estado abrissem completamente seus arquivos em matéria de dívida.Uma parte da resistência é produto do desejo de obstaculizar os trabalhos da comissão por parte de certos ex-responsáveis pelo endividamento. Com efeito, em muitos locais do aparato estatal, entre os funcionários de carreira, continuam presentes pessoas que tiveram alguma responsabilidade pelo endividamento ilegítimo nas décadas passadas. Não sentem nenhum desejo de que seja descoberta sua infame cumplicidade. Felizmente, postos-chave da administração estão ocupados por pessoas que querem que tudo venha a público. E o que é determinante: a decisão do presidente da República de ver culminar as investigações da comissão. Graças à conjunção desta determinação do presidente, do ministro que preside a comissão e da perspicácia dos membros desta, estão sendo obtidos resultados particularmente alentadores.Sessão de trabalho com Rafael CorreaNa quarta-feira 20 de fevereiro, o presidente Correa recebeu a CAIC no palácio presidencial de Quito. Este longo encontro foi realmente muito positivo, apesar de que o momento não era muito propício: há 15 dias chuvas torrenciais caíam sobre a maior parte do território equatoriano. Na véspera do nosso encontro, a catástrofe natural adquiriu proporções ainda mais graves que nos dias anteriores. Em 20 de fevereiro, às 6 da manhã, o presidente reuniu diferentes ministros e o chefe das forças armadas para fazer um balanço da situação. Ditou um decreto que dava ordens ao exército para acudir em ajuda da população, em particular, autorizando a intervir nas grandes plantações de bananas, cujos proprietários construíram muros que impediam a saída das águas. Devido a esta situação maior, a reunião com o presidente Correa começou com duas horas de atraso. Apesar disto, Correa manifestou um grande interesse pelos trabalhos da comissão. A reunião foi realizada em duas partes e durou em torno de três horas. Na segunda parte, Correa decidiu de improviso convocar o ministro da Justiça e o conselheiro jurídico da presidência e manifestou que queria empreender medidas legais para julgar os responsáveis pelo endividamento ilegítimo do país, especialmente no momento da emissão dos bônus Brady, em 1995. Confirmou, também, que estava disposto a cortar o reembolso de certos empréstimos realizados pelo Banco Mundial. Três dias depois, por ocasião de seu programa radiofônico dos sábados, o presidente falou claramente sobre esta questão. Poderia ser tomada uma decisão no fim dos trabalhos da CAIC, depois de julho de 2008.A Assembléia Constituinte do Equador recebe o CAIC em 21 de fevereiro de 2008.O grupo nacional Dívida apresentou para Alberto Acosta, presidente da Assembléia Constituinte, uma proposição sobre o problema da dívida pública, que deve ser levado em conta ao redigir a Constituição, que está em fase de elaboração. O texto final da proposta de nova Constituição deve ser adotado pela Assembléia em 24 de maio de 2008. (O texto definitivo talvez precise de um par de meses complementares). O projeto de Constituição será submetido a votação universal em um prazo de três meses após sua aprovação pela Assembléia Constituinte, que dispõe de plenos poderes e, inclusive, pode destituir o presidente. Em outubro de 2007, dissolveu o Parlamento, composto essencialmente pelos beneficiários do antigo regime, detestado pela maioria da população.Em sua introdução, Alberto Acosta nos lembrou que Montecristi, pequena localidade onde a Constituinte se reúne em sessão permanente, foi eleita para essa finalidade porque foi lá que nasceu Eloy Alfaro, herói da revolução liberal que lutou contra o poder latifundiário e conservador assumindo a presidência em 5 de junho de 1895. Em seu governo pôs em marcha transformações sociais e econômicas revolucionárias. Em 1896, Alfaro suspendeu o pagamento da dívida. A burguesia e os grandes latifundiários, apoiados pela hierarquia católica, propiciaram seu assassinato em 1912.Quem participou nesta reunião "histórica", segundo os termos de Alberto Acosta? Sete delegados do grupo nacional Dívida, entre eles vários membros da Jubileu 2000 Rede Guayaquil 1 e também María Isabel Altamirano, membro do CADTM Equador, e dez delegados da Comissão da Auditoria Integral da Dívida Pública do Equador. A representante do Centro de Direitos Econômicos e Sociais (CDES) apresentou um projeto elaborado pelo grupo nacional Dívida no transcurso dos últimos dias (eu participei na elaboração desta proposta durante as duas últimas semanas). Oscar Ugarteche (economista peruano, atualmente professor no México) leu o relatório intermediário da atividade da CAIC.Depois da reunião com Alberto Acosta, ocorreu outra, nas primeiras horas da tarde. A CAIC foi recebida pela 7ª comissão, denominada «Princípios que regem o desenvolvimento», que está redigindo uma parte da Constituição. Cada comissão está composta por uma dúzia de deputados da Constituinte. O diálogo com esta comissão durou três horas e resultou bastante animado, porque Pablo Lucio Paredes, um dos deputados integrantes da comissão, adotou um tom muito crítico com respeito à apresentação dos trabalhos da CAIC. É preciso dizer que ele é um membro da direita e que participou no poder durante os anos 1990, desempenhando um papel muito ativo na aplicação das políticas neoliberais que tanto mal fizeram ao país. Evidentemente, este deputado não deseja em absoluto que a presidência da República questione o pagamento da dívida do Equador. O resto dos deputados membros da 7ª comissão da Assembléia Constituinte, pelo contrário, expressaram seu apoio aos trabalhos da comissão.À margem dos trabalhos da CAICAlém da minha participação, em fevereiro de 2008, nas atividades da CAIC, mantive várias reuniões de trabalho com Pedro Páez, ministro de Coordenação Econômica, que versaram principalmente sobre o Banco do Sul, o CIADI (Centro Internacional de Ajuste de Diferenças sobre Investimentos), as prioridades da política econômica do governo, etc. Também mantive duas reuniões com o CADTM Equador, que, por outro lado, organizou uma sessão pública de informação no dia 20 de fevereiro em Quito, na qual concederam a palavra a três membros da CAIC. Tive uma entrevista radiofônica em Radio Nacional da Argentina sobre o tema da auditoria da dívida, além de outra entrevista escrita no site da internet argentino Terra, sobre o Banco do Sul. No final, também aproveitei minha estada para preparar a edição equatoriana para a editorial Abya Yala de dois livros do CADTM: o do Banco do Sul e o da auditoria da dívida do Equador.Planejamento das atividades e do próximo grande encontro da CAICAté o final de junho deste ano, a CAIC vai prosseguir com sua análise pormenorizada da auditoria da dívida. Nos dias 3 e 4 de julho, ocorrerá em Quito um importante seminário internacional sobre o direito e a dívida. A CAIC vai se reunir a seguir, do 7 ao 11 de julho, para aprovar o relatório final e as recomendações que apresentará nos dias seguintes à presidência da República. A partir do dia 16 de julho, será efetuada uma reunião sobre estratégia das campanhas internacionais da dívida, com uns cinqüenta delegados de todos os continentes. Os próximos meses serão, portanto, determinantes para o Equador.
Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

quarta-feira, março 19, 2008

NOTAS SOBRE A CONJUNTURA POLÍTICA
Notas Preliminares:
1. Após as décadas de 80 e 90 o neoliberalismo se cristalizou como hegemonia econômica e ideológica influenciando todos os países do mundo em especial na relação estado, mercado e sociedade. Esta cristalização é incorporada pela difusão da idéia que conecta “democracia” à liberdade e liberdade à liberalismo (em sua nova fase: neoliberalismo). Os paradigmas referentes à democracia anteriormente apontados como igualdade e liberdade foram propositalmente vinculados a consolidação deste novo período do capitalismo.
2. A queda do muro de Berlim para vários socialistas em todo o mundo significou uma derrota do processo de lutas gerais, devido a gigantesca polarização EUA X URSS, e sua disputa político-ideológica. A derrota do regime soviético representou parcialmente uma vitória do capitalismo em sua fase contemporânea, mas não significou a derrota da luta pelo socialismo, apesar da tentativa em parte vitoriosa de impregnar esta derrota aos socialistas em âmbito mundial. A queda do “socialismo vulgar” na União Soviética foi resultado de sua auto-destruição como alternativa societária devido à diversos fatores amplamente conhecidos. Não há como se negar que o colapso do modelo soviético serviu de fôlego para a consolidação do neoliberalismo.
3. A consolidação do neoliberalismo como forma de auto-regulação do capitalismo significa uma nova possibilidade de sobrevivência objetiva para este modelo e a ligação ideológica feita à democracia contribui para sua legitimação.
4. Vários elementos como as profundas mudanças ocorridas no mundo do trabalho contribuíram profundamente para a desorganização e a falta de simetria na intervenção da esquerda mundial. O que alguns teóricos e militantes chamam de “desindustrialização”, surgimento do terceiro setor ou “metamorfoses no mundo do trabalho” foram fatores inegavelmente relevantes.
5. Neste sentido, pode-se inferir que o capitalismo, diferente do que vários afirmam, vive um momento organizado e fortemente cristalizado política e ideologicamente. Tem demonstrado a capacidade de responder rapidamente as suas crises, inevitavelmente com a regência do imperialismo.
6. É importante ressaltar que apesar da consolidação ideológica, o neoliberalismo não conseguiu garantir os ganhos econômicos previstos em sua gênese.
7. A questão central que deve ser analisada a partir destas notas preliminares é de que forma o neoliberalismo pode continuar a conectar-se com o conceito de “liberdade” se a cada passo deteriora e precariza profundamente a vida da maioria do povo.
8. A forma mais objetiva de se atacar o neoliberalismo deve ser trazendo alternativas concretas para a maioria da população. A diminuição do papel do estado, a desregulamentação das políticas sociais aprofundam enormemente a degradação da vida humana, as desigualdades sociais e o meio ambiente.
9. Isto nos leva a afirmar que as condições objetivas de vida da população deve ser a forma na qual os socialistas e a esquerda deve propor uma alternativa ao modelo neoliberal.
10. Lembrando que a difusão de uma cultura anti-comunista também foi cristalizada devido a diversos fatores em especial a propaganda protagonizada pelos países imperialistas. O acúmulo de forças da esquerda socialista e democrática deve se materializar através de uma contra-ideologia que não se atenha a devaneios superestruturais, mas que consiga dar respostas concretas ao conjunto da sociedade.
11. Dessa forma, lutar contra o neoliberalismo e o imperialismo parecem ser as duas tarefas centrais na atual conjuntura. Enfraquecer politicamente o capitalismo hoje significa unir forças para enfrentar sua nova fase. Duas esferas importantes são centrais no cumprimento destas tarefas: os movimentos sociais e o partido.
12. Há necessidade de construção do partido que consiga dar respostas políticas diárias as artimanhas neoliberais e possa influenciar de forma central nas lutas gerais, levando em conta as novas categorias de movimentos sociais e embates que surgiram no último período. Os movimentos sociais que consigam erguer consignas anti-neoliberais, anti-imperialistas e democráticas que neste sentido dialoguem com a maioria da população. É bom diferenciar estes movimentos das organizações que foram superadas junto aos partidos burocratizados que se venderam ao regime quando chegaram ao poder (tendo claros os devidos níveis de ruptura).

Notas sobre a América Latina:
13. A América Latina parece resistir ao modelo neoliberal em níveis mais audíveis, No último período diversos governos chegaram ao poder e representaram o avanço da luta dos trabalhadores, popular e juvenil.
14. Na Venezuela, Bolívia e Equador o avanço da luta anti-neoliberal e anti-imperialista pôde ficar mais visível e concreta. Os enfrentamentos e as derrotas impostas as diretas destes países serviram como fôlego para a esquerda socialista, democrática e revolucionária mundial. Já no Brasil, Argentina e Chile os partidos que representaram os trabalhadores em sua história chegaram ao poder com uma correlação de forças profundamente distorcida e com acordos para a manutenção integral da política vigente. Isto significa dizer que abandonaram por completo o enfrentamento político ao capitalismo e dessa forma tentaram patrocinar uma guinada ideológica da sua base política (movimentos sociais, filiados, militantes e etc). Nestes países a característica central foi um acordo entre a direita tradicional orgânica, o que culminou na derrota parcial dos movimentos anti-imperialistas e anti-capitalistas, e pode-se constatar um revezamento no poder político e pouca diferenciação programática.
15. Na contramão deste processo a Venezuela e a Bolívia e em menor medida o Equador patrocinaram uma campanha contra a cultura e a ideologia dominantes conseguindo fortalecer os processos objetivos de luta, os movimentos sociais e garantindo ganhos reais aos trabalhadores.
16. Tendo em vista a necessidade dos socialistas acumularem forças a partir de suas estratégias e táticas para o próximo período, o papel que cumpriu estes governos e o debate internacional protagonizado principalmente pelo governo Chavez significou uma realocação da discussão do neoliberalismo e do imperialismo no eixo das polarizações em todo o mundo. Isto quer dizer que as tarefas democráticas e anti-imperialistas implementadas por estes governos (pressionadas dia-a-dia pelo movimento dos trabalhadores/as) serviu para reascender o debate do socialismo e da revolução cumprindo assim amplo papel progressista.
17. Dessa forma estes governos, e as insurreições na América Latina servem para destoar de forma categórica da hegemonia política e ideológica do capitalismo em sua nova fase.
18. De conjunto existiram diversos problemas e contradições, inerentes ao próprio estado no capitalismo, mas que dentro da atual "conjuntura histórica" devem ser enfrentados com independência pelos movimentos sociais e não com sectarismo ou não-apoio a medidas progressivas. Deve-se reconhecer a importância destes governos na contra-propaganda capitalista, na luta anti-imperialista objetiva e nas claras medidas a serviço das maiorias de sua população (cabendo entender as limitações do estado burguês). Neste caso o posicionamento geral deve ser de apoio político tático, como ferramentas contraditórias, mas importantes na atual conjuntura política.
19. Os movimentos sociais, e dos trabalhadores organizados na Venezuela precisam manter sua organização e seus instrumentos de deliberação independentes. Com a compreensão que o governo Chávez serve para acender a "fogueira política" com tarefas democráticas que avançam em grande medida para a população e mesmo sabendo que há contradições, existe o entendimento que a contribuição deste governo vem em um momento de forte propaganda anti-comunista e de consolidação dos mecanismos ideológicos do capitalismo.
20. Os movimentos sociais devem afirmar na América Latina a necessidade de consignas democráticas e anti-imperialistas que venham a reascender o processo da revolução. Isso não significa dizer que devem se submeter às deliberações e as distorções cometidas pelos governos progressivos. O fato de considerar importante a unidade tática por palavras-de-ordem unificadas, não significa dissolver os organismos independentes da classe trabalhadora. Apoiar as medidas progressivas destes governos representa uma tarefa importante na disputa com a ideologia hegemônica.

Notas sobre o Brasil:

21. No Brasil a situação de reorganização dos trabalhadores foi iniciada a partir da traição e da composição política acertada pelo governo Lula. O PT e o governo protagonizaram uma guinada política desde a campanha se colocando como os defensores do capital financeiro, do imperialismo e contra as principais consignas da esquerda socialista e democrática.
22. A partir das primeiras medidas objetivas implementadas após a posse a esquerda começa a se reorganizar e o Movimento Pelo Novo Partido se torna a principal campanha capaz de mover uma vanguarda em torno de um novo projeto que destoa do “modo petista de governar”.
23. O PSOL, que surge a partir deste movimento é a mais importante e dinâmica ferramenta de esquerda em momentos políticos importantes como nas crises do “mensalão”, “Fora Renan”, denuncia do governo Lula e não há como deixar de fora o papel fundamental dos parlamentares que no primeiro mandato atuaram como um exército no congresso. No primeiro momento Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro e posteriormente João Alfredo, Chico Alencar, Ivan Valente e Maninha.
24. A participação do PSOL mesmo que de forma parcial na construção da CONLUTAS junto ao PSTU se mostrou uma política acertada de reorganização do movimento dos trabalhadores devido à traição da CUT e ao aparelhismo e burocratização estrutural patrocinado pelo PT (articulação sindical) nesta central. A construção e consolidação da CONLUTAS como ferramenta dos trabalhadores deve ser adotado como tarefa do PSOL no próximo período. A disputa com o PSTU por uma política menos sectária nesta central deve ser também um dos pilares para a intervenção do Partido.
25. A intervenção do PSOL nas eleições de 2006 representou um marco fundamental na consolidação do partido, a votação expressiva que obteve Heloísa Helena na disputa presidencial deixou o PSOL entre as três principais candidaturas nacionais. Isto serviu para difundir um programa mais radical de esquerda em contraponto ao projeto petista e também se opunha ao projeto da direita tradicional.
26. Em 2006 a participação do PSOL nas principais lutas da juventude e dos trabalhadores demonstrou a importância do partido na dinâmica da luta política nacional e o papel progressivo que pode cumprir na disputa com a ideologia hegemonizada pelos partidos da ordem (PSDB, PT, DEM, PMDB etc).
27. Na atual conjuntura o fim da CPMF demonstrou até que ponto chega a disputa eleitoral dos partidos da ordem, que possuem basicamente programas semelhantes. O governo lula que foi derrotado com a perda de 40 bilhões no orçamento, teve que rediscutir o orçamento 2008 com as composições políticas fisiológicas do congresso nacional.
28. Os cartões de crédito do governo federal demonstraram até que ponto chega a burocratização e os privilégios na atual gestão. A crise que se tornou uma CPI “defendida” pelo governo para investigar estes gastos pouco deve avançar, devido ao acordo firmado entre PT e PSDB no congresso nacional. A razão deste acordo é o envolvimento do principal presidenciável do PSDB José Serra em uma crise semelhante com os cartões de seu estado.
29. A ofensiva do Governo Lula com as reformas da previdência e trabalhista demonstram claramente uma agenda preferencialmente contra os trabalhadores o que pode servir para instrumentalizar a luta do PSOL, partidos aliados e movimentos sociais para o próximo período. O ataque à educação com o decreto do REUNI, que transforma as universidades públicas em “escolas” de terceiro grau, distorcendo a capacidade da academia de concretizar uma formação mais crítica remete ao desmonte da educação de conjunto.
30. A crise especulativa na bolha imobiliária americana se mostrou mais forte e profunda do que alguns analistas julgavam. A crise que gera reflexões ideológicas sobre as possibilidades de consumo e serve como paradigmas questionadores do “fetiche” capitalista, também têm resultados concretos e catastróficos para a maioria da população. O Brasil que no início afirmava-se como “imune” à crise agora já admite aumentar ou não diminuir as taxas de juros e prevê um crescimento pífio longe da boa maré internacional dos outros anos.
31. Contudo, a influência do PT nos principais movimentos sociais brasileiros é significativa e a popularidade do Presidente Lula também é pouco atingida. Não é difícil afirmar que as perdas para o PT devido às diversas crises de corrupção foram bastante significativas e devem ter resultados mais concretos nas eleições municipais deste ano. O deslocamento de vários movimentos sociais, a saída de diversos intelectuais petistas, as rupturas parciais nos movimentos de mulheres, LGBT, criança e adolescente, assembléia popular e MST sinalizam que estas organizações e seus militantes não estão satisfeitos com o governo, mas suas direções aproveitam muitas vezes da burocracia e do financiamento do governo para cooptar “maiorias”.
32. A consolidação da CONLUTAS, com seu primeiro congresso e em menor medida a conformação da Intersindical servem para dar novo ritmo e organização a luta dos trabalhadores/as.
33. As vitórias das chapas da Frente de Esquerda PSOL/PSTU/PCB contra o campo governista PT/ PCdoB nas universidades serviram para denunciar as políticas educacionais do governo e notar um avanço significativo na ruptura de parcelas importantes da juventude estudantil com o governo.

Notas sobre as eleições 2008

34. As eleições em 2008 serão uma tarefa importante para o Partido Socialismo e Liberdade em todo o Brasil, apesar de suas limitações ela pode servir para consolidar o partido e seu programa a serviço das lutas e das necessidade da maioria do povo.
35. O PSOL se apresenta em diversas capitais como no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém, São Paulo com candidaturas que aparecem nas pesquisas, apresentam capilaridade e podem contribuir para denunciar a falsa polarização PT/ PSDB. O Partido precisa construir um programa a altura da atual conjuntura histórica e suas tarefas. Um programa que assuma tarefas democráticas anti-neoliberais e possa se contrapor politicamente as falsas alternativas apresentadas.
36. A participação do PSOL nas eleições deve estar visceralmente ligada à necessidade de fortalecimento das lutas sociais e de afirmar o PSOL como o novo partido a serviço das demandas da classe trabalhadora. A reorganização da esquerda brasileira ainda é pauta importante nestas eleições.
37. Há necessidade de construção de um programa de esquerda democrático que possa atender as demandas das maiorias da população e que consiga acumular forças para fortalecer os processos de lutas gerais. Nacionalizar as campanhas do PSOL é uma prerrogativa importante na consolidação do Partido neste processo. Denunciar o governo Lula, o “modo petista de governar” e também o estilo da direita tradicional devem ser prioridade política do PSOL.
38. Por um programa que consiga cumprir as tarefas essenciais para a população o PSOL precisa reeditar a Frente de Esquerda composta pelo PSOL, PSTU e PCB que pode levar a cabo um programa que defenda os interesses dos trabalhadores e dos movimentos sociais. A busca por setores dos movimentos sociais que no último período romperam com o governo e impulsionar estes deslocamentos também é tarefa central.
39. O campo de alianças não devem servir para reproduzir os acordos que os partidos burgueses tem feito durantes décadas nas disputas eleitorais, mas deve servir para impulsionar um programa transformador para o povo. Na atual conjuntura não se faz necessário qualquer ampliação para outros partidos, porém as eleições municipais guardam pra si características muito particulares que devem ser analisadas pela direção partidária com cautela. Obviamente que o PSOL não deve abrir mão em uma linha seu programa e a cabeça da chapa. E devem ser vetados de antemão os representantes orgânicos da burguesia nacional que por anos e atualmente governam com afinco contra os trabalhadores.

quinta-feira, março 06, 2008


DIA 8 DE MARÇO: DEDICADO À LUTA EM DEFESA DA MULHER TRABALHADORA, CONTRA O MACHISMO, A OPRESSÃO E PELO SOCIALISMO.


Por Neide Solimões*
No Dia Internacional da Mulher é fundamental que nós, mulheres, entendamos o que significa essa luta para nós, trabalhadoras. Não se pode ver o dia 8 de março como um dia para recebermos presentes e flores. É um dia onde devemos explicitar para a sociedade a nossa luta cotidiana contra o capitalismo, a opressão, a exploração, a retirada de direitos, a violência, o assédio moral e sexual, a dupla e até tripla jornada de trabalho, a repressão e o controle do estado sobre o nosso corpo. Essa luta para ser vitoriosa tem destino certo, que são os governos e os patrões, que oprimem mulheres e homens para que possam melhor explorar toda a classe. O machismo, a opressão e a exploração é parte integrante do capitalismo, por isso só os destruiremos se destruirmos o próprio capitalismo.Nessa luta precisamos nos organizar para enfrentar o governo Lula que, além de já ter aumentado a idade para aposentadoria, agora quer diminuir a diferença de idade entre mulheres e homens, sem levar em consideração a dupla/tripla jornada de trabalho a que as mulheres são submetidas. Muitas mulheres sequer terão saúde quando se aposentarem, pois estarão esgotadas física e mentalmente. Outras reformas que destroem direitos, como a trabalhista e a sindical, novamente atingirão muito mais as mulheres, pois os direitos conquistados com suor e sangue em décadas passadas estarão com os dias contados e os sindicatos, nossos instrumentos de luta, estarão muito mais enfraquecidos. Isso já seria grave mas o governo Lula também quer acabar com o direito de greve, para evitar as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras.Para se ter uma idéia das condições de vida das mulheres brasileiras, podemos citar alguns dados estarrecedores, cuja fonte é o próprio governo através do IBGE, PNAD (2006) e do SUS: a cada 15 segundos uma mulher é espancada e em 50% dos casos o agressor é o marido ou companheiro; Cerca de 1 milhão de mulheres, por ano, fazem aborto no Brasil. 250 mil dão entrada em hospitais com hemorragias ou infecções decorrentes de abortos inseguros; As mulheres com carteira assinada ganham, em média, 28,4% menos que os homens, no Brasil; A principal ocupação feminina ainda é o trabalho doméstico, representando 17% da força de trabalho, sendo que dessas 55% são negras, 60% não completaram o ensino fundamental e só 25% tem carteira assinada.Em defesa da mulher trabalhadora, precisamos lutar contra o pagamento das dívidas externa e interna, por direito ao emprego e salários dignos, salários iguais para tarefas iguais, contra as reformas neoliberais que retiram direitos de mulheres e homens, por saúde e educação públicas de qualidade, pela legalização e descriminalização do aborto e por todas as lutas que reivindiquem para trabalhadores e trabalhadores melhor qualidade de vida.


Neide Solimões: Executiva Nacional da CONDSEF e do Diretório Nacional do PSOL.

quarta-feira, março 05, 2008


Bancada do PSOL presta solidariedade ao Presidente do Equador

Por iniciativa da Deputada Federal e líder do PSOL na Câmara, Luciana Genro, uma comitiva de parlamentares brasileiros esteve com o Presidente do Equador, Rafael Correa, em Brasília, ao meio-dia de hoje, 5 de março, prestando solidariedade ao governo equatoriano diante da agressão à soberania territorial daquele país por parte do governo da Colômbia. "Esse episódio explicita a disposição do governo colombiano de Álvaro Uribe em sabotar o acordo humanitário que vinha promovendo a liberação dos reféns das FARC", afirmou a líder da bancada do PSol. O governo da Colômbia deve ser responsabilizado por eventuais dificuldades em futuras liberações de reféns, concluiu após entregar a Correa uma declaração da executiva do PSOL que repudia a incursão criminosa de Uribe no Equador.

A solidariedade da comitiva, que era composta por toda a bancada do PSOL no Congresso e por outros deputados, foi muito bem acolhida pelo Presidente Correa que comentou aos parlamentares que "essa não é uma crise bilateral entre Colômbia e Equador, mas uma crise continental. Quem pode garantir que amanhã não será o Brasil a ter seu território invadido?" argumentou ele. A seguir, o texto da declaração.


Declaração do PSOL repudia a incursão criminal de Uribe no Equador

A ação capitaneada pelo governo de Uribe em território equatoriano em 1º de março é uma provocação inaceitável contra todo o povo latino-americano e seus países. É necessário o mais enérgico repúdio ao governo colombiano e a solidariedade com os governos do Equador e da Venezuela que imediatamente retiraram seus embaixadores da Colômbia.
O governo equatoriano de Rafael Correa mostrou a enorme gravidade do fato confirmado depois da visita das forças armadas de seu país ao lugar do acontecido: “Equador sofreu um ataque aéreo planificado e uma incursão posterior das tropas com a plena consciência de que estavam violando nossa soberania”. O presidente explicou também que “todos os cadáveres estavam com roupas de dormir, o que descarta a versão oficial de uma perseguição em legítima defesa”. Deixou esclarecido também que se tratou de um massacre, já que os aviões colombianos “entraram mais de 10 km em território equatoriano e em seguida foram seguidos por helicópteros que concluíram a matança, inclusive com tiros pelas costas”.
Organizações democráticas e de defesa dos direitos humanos colombianas tem denunciado sistematicamente a política de Uribe de apoio aos paramilitares e a vinculação de seu governo ao narcotráfico. É um dado também que o exército colombiano é quem, depois de Israel, recebe a maior ajuda militar dos Estados Unidos. Há no território colombiano assessores e mais de 3.000 soldados e/ou mercenários desse país atuando com o exército colombiano.
Com esta ação militar para massacrar os guerrilheiros, o governo de Uribe deixou cair totalmente sua máscara de governo que pretendia negociar para obter a libertação dos reféns em poder das FARC. O massacre e assassinato de Raúl Reyes ocorrem quando este dirigente das FARC estava negociando diretamente com enviados da França a libertação de Ingrid Bettancourt. Repudiamos o massacre e lamentamos profundamente a morte de todos os guerrilheiros.
Fica claro que sua política é de extermínio e militarista, como têm denunciado inclusive familiares dos reféns que esperavam e apoiavam a solução de negociações que havia empreendido o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Mas vai mais além. Pela primeira vez em nosso continente ocorreu um fato similar às incursões do exército sionista de Israel sobre o Líbano e a Palestina. Isto acontece quando é sabido que Equador e Venezuela, que fazem fronteiras com a Colômbia, assumem de forma soberana e democrática uma posição de independência econômica e política dos EUA, procurando uma integração continental por fora do servilismo ao imperialismo norte-americano.
O PSOL apóia o presidente Rafael Correa em sua política de não admitir a invasão covarde e manipulada às fronteiras do Equador. Apóia também atitude do presidente Hugo Chávez, que vem alertando sobre o significado da política militarista de Uribe e que, frente à gravidade do fato, expulsou todos os diplomatas da Colômbia e enviou suas tropas à fronteira. São ações soberanas tomadas pelos presidentes Correa e Chávez para evitar qualquer tentativa das forças armadas dirigidas por Uribe de socavar a soberania de seus países.
O PSOL denuncia que a política criminosa de Uribe, apoiada diretamente pelo governo dos Estados Unidos, é o principal perigo de uma escalada armamentista na região. Para evitar esta possibilidade, que com certeza não é o desejo dos povos das três nações, expressamos também nossa solidariedade e apoio ao povo colombiano na sua luta contra o governo Uribe, inimigo declarado de seu povo, da unidade latino-americana e um fiel defensor dos interesses imperialistas na América Latina. Para que nosso continente não se torne um novo Oriente Médio, se impõe o desmantelamento das bases militares dos Estados Unidos na região.
O PSOL exige que o governo Lula tome uma atitude de firmeza e acompanhe a posição soberana dos governos de Equador e da Venezuela para isolar esse projeto militarista contra os povos de nosso continente.

Executiva Nacional do PSol
Brasília, 5 de março de 2008

terça-feira, março 04, 2008


Ataque militar da Colômbia em território equatoriano é ordem direta dos Estados Unidos!


Cumprindo ordens diretas dos governantes americanos, as forças armadas colombianas invadiram terriório equatoriano onde mataram dirigentes e guerrilheiros das FARC. Esta ação esta inserida no "Plano Colômbia", que visa derrotar as Forças Revolucionárias da Colômbia com base em um discurso forjado e autoritário.

O ataque imperialista em território equatoriano além de desrespeitar as leis do direito internacional, também atrapalham a boa convivência dos países na região. Os governantes Colômbianos e seu principal representante o Presidente Alváro Uribe atuam como "vassalos" do governo americano, obedecendo suas ordens e caminhando na contramão do processo político em curso na américa latina.

A campanha ideologica patrocinada pelos bilhões de dólares americanos e pela imprensa internacional insiste em caracterizar as FARC como uma organiação terrorista, que mata e pune com crueldade seus opositores. Muito pelo contrário, quem agiu décadas desta forma foram sucessivos governos colombianos que não aceitaram qualquer diálogo com a organização política independente.

A esquerda brasileira, suas organizações, trabalhadores e toda a juventude devem defender a livre organização nestes países não aceitando as supostas "verdades absolutas" vindas dos ideólogos do império americano sobre a caracterização das organizações de esquerda dos países latino-americanos.

Obviamente isto não deve significar que a esquerda brasileira concorde com a tática e a estratégia utilizada por esta organização, mas revela a necessidade de uma análise a partir de outros pressupostos que não os que são impostos atualmente.

A atuação do Governo Chávez e do Governo Rafael Corrêa têm sido importantes no sentido de marcar posição contra o ataque imperialista. A expulsão dos embaixadores da Colômbia deste dois países e a ruptura das relações diplomáticas demonstram concretamente uma ação progressista que reflete que não há diálogo com países que obedecem até as últimas consequências as ordens dos Estados Unidos. Estados latino-americanos que chegam ao absurdo de invadir o terriório e autonomia de outra nação para levar adiante um plano assassino tramado pelo imperialismo.

No Brasil a posição do Governo Lula é de manter uma boa relação com os Estados Unidos, tratando da mesma forma Uribe e Corrêa como se não houvesse uma intervenção americana. Ninguém tinha qualquer expectativa do Governo brasileiro tomar atitudes anti-imperialistas, já que desde seu primeiro mandato a postura foi mais de submissão econômica e política.

Este momento é fundamental para que se aprofunde a luta anti-imperialista na america latina, que a esquerda possa esclarecer como tem sido o intervencionismo americano em diversos países com o apoio da Colômbia e outros países politicamente mais submissos. Concretamente é necessário o apoio as medidas tomadas pelos dois governos latino-americanos e que os movimentos sociais e partidos de esquerda regionais possam pressiona-los para que intensifiquem medidas que se confrontem com os planos do imperialismo para américa latina.
Um artigo em homenagem a semana da mulher...

A exploração determina o grau de opressão sobre a mulher
Todas as mulheres são oprimidas por serem mulheres, mas não são oprimidas da mesma forma. O que determina o grau de opressão que pesa sobre uma mulher é a classe social à qual ela pertence, o grau de exploração que pesa sobre seus ombros
Cecília Toledo
da Revista Marxismo Vivo

• A exploração, a apropriação da força de trabalho das grandes massas de homens e mulheres pela classe burguesa, é a máxima desigualdade que existe entre as pessoas.
Essa desigualdade significa um antagonismo total e irreconciliável entre os exploradores e os explorados, entre as classes e entre seus partidos e organizações. Desde que surgiu, a exploração se converteu no fato determinante de toda a história da humanidade dali em diante. Não se trata de uma submissão injusta por razões culturais, raciais ou sexuais, mas um fato econômico fundamental, que está na base da produção de toda a sociedade de classes. Em última instância, a luta entre os exploradores e os explorados é o motor da história. E todas as formas de opressão sexual, racial, nacional ou cultural estão subordinadas a essa luta fundamental.Então, na questão da mulher temos de levar em conta as classes sociais, ver que elas sofrem a opressão de forma diferente conforme a classe à qual pertencem, e também temos de levar em conta os períodos históricos. Hoje nós vivemos dominados pela exploração capitalista e sufocados pelo imperialismo. Essa é a luta determinante. Enquanto não acabarmos com isso, todas as nossas conquistas contra a opressão da mulher tendem a perder-se. Isso não significa que não lutemos contra a opressão, pelo contrário, lutamos com mais afinco, exigindo nossos direitos. Mas sabendo que em última instância tudo depende de nossa luta anticapitalista e antiimperialista. As mulheres trabalhadoras e pobres devem organizar-se junto de sua classe
Enquanto existir a exploração capitalista e imperialista, a maioria das mulheres terá de enfrentar todos os dias os problemas que atingem todos os explorados do mundo, independente de seu sexo, raça ou cor. Esses problemas comuns, que são a fome, a miséria, o desemprego, os baixos salários, a falta de serviços públicos de qualidade, a incerteza diante do futuro, a violência cotidiana e cada vez mais brutal que destrói nossas famílias, unem com vínculos de ferro a todos os explorados do mundo. E fazem com que as mulheres trabalhadoras tenham como preocupação central a mesma que os homens de sua classe: a luta pela sobrevivência.E por isso as mulheres trabalhadoras devem organizar-se nas entidades de sua classe, como os sindicatos, as centrais de luta, os sem-terra e outras, e no partido revolucionário para poder lutar contra o capitalismo e o imperialismo, para acabar com a exploração econômica. Só em casos excepcionais as mulheres trabalhadoras levam uma luta comum com as mulheres burguesas contra a opressão.Os trabalhadores e suas organizações devem assumir a luta contra a opressão da mulher como uma luta de toda a classe
Enquanto existir a exploração capitalista e o imperialismo, seus problemas de opressão, como a legalização do aborto, as creches nos locais de trabalho, o fim do assédio sexual, o fim da desigualdade salarial, o fim da violência doméstica, se transformam em bandeiras a serem assumidas pela classe trabalhadora de conjunto, homens e mulheres, porque a luta contra a opressão tem de vir junto com a luta contra a exploração econômica. Faz parte do nosso trabalho revolucionário convencer setores cada vez mais amplos de trabalhadores sobre a importância das lutas contra a opressão da mulher. Porque elas podem, dependendo da direção, assumirem uma dinâmica anticapitalista, ao ganhar para o movimento a milhões de mulheres trabalhadoras.Enquanto existir a exploração capitalista, as mulheres da classe trabalhadora e as massas exploradas do mundo inteiro terão como tarefa prioritária a luta anti-imperialista e pela revolução socialista, único caminho possível para se começar a construir uma nova sociedade, onde os problemas da sobrevivência cotidiana, já resolvidos, abrirão espaço para a solução definitiva dos problemas de opressão que atingem a todas as mulheres.Por isso sempre comemoramos o 8 de Março chamando as mulheres trabalhadoras e pobres a participar das lutas de sua classe contra a exploração capitalista e contra o imperialismo; a se organizem nos partidos políticos de sua classe e repudiem os partidos burgueses. A se filiar aos sindicatos de sua categoria, onde formem comissões de mulheres trabalhadoras para debater seus problemas específicos e lutar contra o machismo e a marginalização das mulheres.A luta contra a opressão não é mero discurso nos dias de festa, nos 8 de março. É uma luta diária, e concreta. Cada mulher que se filia ao Sindicato ou participa de uma greve dá um passo fundamental em sua emancipação. Cada vez que uma mulher se conscientiza de sua situação e se dispõe a enfrentá-la, também está dando mais um passo na luta contra a opressão. Cada mulher que se conscientiza de sua importância na luta pelo socialismo e se dispõe a ajudar na construção do partido revolucionário, fazendo o que melhor saiba fazer, é uma mulher que está enfrentando sua opressão, libertando-se das suas amarras e abrindo o caminho para a emancipação total de todas as mulheres. Mas para conquistar a emancipação total de todas as mulheres é preciso que a classe trabalhadora tome o poder em todos os países, e com isso possamos começar a construir uma nova sociedade, o socialismo, onde aí sim os problemas relativos a opressão poderão entrar em vias de solução definitiva.A revolução socialista na Rússia, por exemplo, foi fundamental para a emancipação da mulher. Nos seus primeiros anos, antes da burocratização do Estado operário pelo stalinismo, os bolcheviques tiveram uma política consciente por liberar a mulher da escravidão do lar porque eram conscientes de que sem isso ela não poderia ocupar o lugar que a revolução necessitava na condução do Estado operário. Apesar da burocratização e da restauração do capitalismo, a revolução socialista na Rússia deixou grandes lições e mostrou ao mundo que em poucos anos, num estado operário em transição ao socialismo, mesmo em economias atrasadas em comparação às potências imperialistas, as mulheres conquistaram muito mais do que em séculos de capitalismo. As lutas das mulheres são parte integrante da revolução socialista, porque o capitalismo senta as bases objetivas para a independência das mulheres, mas não pode levar isso até o fim, fazendo com que essa independência se volte contra ela. A burguesia se tornou incapaz de cumprir as tarefas democráticas, historicamente ligadas à sua ascensão e só sob a direção da classe trabalhadora essas lutas podem chegar a cumprir as tarefas democráticas. Por isso, qualquer frente permanente com a burguesia leva a abandonar a luta por essas tarefas. Na atual época histórica, de decadência cada vez maior das forças produtivas e das condições de vida dos trabalhadores, o imperialismo não pode solucionar nenhum problema de forma definitiva e por isso as lutas democráticas, como as das mulheres, podem num determinado momento e sob determinadas condições, assumir uma dinâmica anticapitalista. Tudo depende do contexto, do programa e, sobretudo, da direção. É por isso que nós chamamos a todas as mulheres da classe trabalhadora a lutarem contra a sua opressão mas desde dentro de sua classe, como parte da luta da classe trabalhadora de conjunto contra a exploração capitalista, contra o imperialismo e pela revolução socialista. A grande e verdadeira luta das mulheres pela emancipação está hoje na luta pela revolução socialista. Sem a participação massiva das mulheres, a luta pelo socialismo e pelo fim definitivo de todas as opressões é um sonho impossível.
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PARTICIPE EM BRASÍLIA-DF:

DEBATE SOBRE A LUTA DAS MULHERES.
DIA: 8/3/2008, Sábado agora.
HORA: 14:00h
LOCAL: Auditório do Sindmetrô
ENDEREÇO: Setor de Diversões Sul, CONIC, Terraço do Edifício Venâncio V (quinto).
De elevador suba até o 5o andar e suba mais 2 lances de escada que chegará lá.
REALIZAÇÃO: Conlutas-DFE, Intersindical- DF e Grito dos Excluídos-DF

domingo, março 02, 2008

Lucros recordes para banqueiros e empresários, mínimo de fome para os trabalhadores
Neste sábado, dia 1º de março, começa a vigorar o novo salário mínimo, que passa dos atuais R$ 380 para R$ 415. O reajuste irrisório contrasta com os ganhos recordes dos bancos, empresários, assim como o aumento da arrecadação do próprio governo
Diego Cruz da redação

As centrais sindicais, como CUT e Força Sindical, festejaram o novo mínimo, classificando o aumento como uma grande “vitória” dos trabalhadores. Não poderia ser diferente. O reajuste faz parte de um acordo estabelecido entre o governo Lula e as centrais em 2006, estabelecendo uma política que, na prática, congela o salário mínimo. Pelo acordo, o mínimo teria uma variação igual à inflação do ano anterior, mais um reajuste referente ao aumento do PIB dos dois anos anteriores.
Tal política intitulada cinicamente de “valorização do salário mínimo”, visa impedir qualquer movimento por um real aumento do mínimo. Assim, enquanto a economia ainda cresce e praticamente todos os setores patronais têm ganhos recordes, o mínimo continua arrochado.Os bancos, por exemplo, tiveram lucros recordes, crescendo a taxas bem superiores aos 9,2% do mínimo. Só em 2007, o Bradesco teve crescimento de 58,5%, lucrando nada menos que R$ 8 bilhões. O Itaú cresceu ainda mais, 96%, com seu lucro de R$ 8,4 bilhões no período, o maior lucro já obtido por um banco no país em toda a história. Já o lucro do espanhol Santander foi mais “modesto”, de R$ 1,8 bilhão.“Não sei que tanto tem para reclamar, quando a economia cresce, todo mundo cresce”, chegou a afirmar o economista chefe da Febraban, a Federação Brasileira dos Bancos, Nicolas Tingas. Lula, por sua vez, faz questão de lembrar que não é apenas o setor financeiro que vem tendo lucros estratosféricos. “De vez em quando as pessoas falam: os bancos estão ganhando muito bem. Mas é só pegar a lista dos 500 maiores empresários, escolher o setor, e vamos perceber que todos estão ganhando de forma muito vigorosa”, afirmou o presidente durante reunião com empresários no Palácio do Planalto no último dia 28.
De acordo com levantamento da Economática, as 65 principais empresas com o capital negociado na bolsa tiveram um aumento de 34,6% em seus lucros em 2007. A rentabilidade dessas empresas foi de, em média, 22%, lucrando juntos R$ 22,5 bilhões. Os lucros das multinacionais instaladas no país também impulsionam as remessas para o exterior, que crescem cada vez mais.
Essa é a distribuição de renda democrática do governo Lula. Lucram banqueiros, empresários e ainda os especuladores internacionais, que encontram no país altos juros e isenções de impostos.Setor público também arrecada maisAssim como o setor privado, o governo também nunca arrecadou como agora. A receita em impostos cresceu 11,93% em 2007. Só do imposto que incide sobre os lucros das empresas, o CSLL, o governo arrecadou R$ 6 bilhões. Em janeiro deste ano a arrecadação foi recorde. Mesmo sem a CPMF, a arrecadação cresceu 20% em relação ao ano passado, cerca de R$ 62 bilhões.
Isso comprova que, caso o governo Lula desejasse, poderia conceder um aumento bem maior ao salário mínimo. Tanto o setor público quanto o privado teriam plenas condições de suportarem um aumento acima dos meros R$ 35 dado ao mínimo. Salário dos trabalhadores não cresceSe os lucros dos bancos, empresas e do próprio governo não pára de crescer, os trabalhadores enfrentam a inflação e o aumento brutal dos produtos da cesta básica, situação que penaliza os mais pobres. Os alimentos sofreram forte alta no último período. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), o preço da cesta básica teve uma alta acumulada de mais de 20%, em nove capitais pesquisadas pelo órgão. O feijão chegou a subir 275% em Fortaleza (CE). Produtos de primeira necessidade como carne, leite e óleo de soja também foram os que mais subiram.
Só o valor da cesta básica na capital paulista, estipulada em R$ 229, representa mais de 50% do novo mínimo de Lula. Para o Dieese, o salário mínimo deveria ser de R$ 1.924,59, a fim de satisfazer as necessidades básicas de uma família, como prescreve a Constituição.
Comentário sobre o novo salário mínimo extraído do site: www.pstu.org.br
Deu no Terra.com.br .... Agra é Rafael Corrêa que decide romper as relações diplomaticas com a Colômbia...
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Equador retira embaixador de Bogotá

O Equador retirou, hoje, seu embaixador de Bogotá, na Colômbia, ao considerar como "transgressão" a operação colombiana que matou, em território equatoriano, 17 guerrilheiros das Farc, incluindo o número dois do grupo, Raúl Reyes, informou a chancelaria.

"O Equador resolve retirar, de imediato, seu embaixador em Bogotá frente aos graves fatos ocorridos na zona fronteiriça, que constituem uma transgressão dos princípios de soberania e integridade territorial", afirmou o ministério em um comunicado.
Uma fonte da chancelaria informou que Quito não está "rompendo relações" com Bogotá, apenas reduzindo-as para um nível mínimo.
A operação, na qual morreu o porta-voz internacional das Farc, "Raúl Reyes", é considerada pelo Equador como uma "agressão" e uma "bofetada no país", pois aconteceu em território equatoriano, na zona de Angostura, na província amazônica de Sucumbíos. Além disso, Quito, após receber relatórios militares do lugar onde se produziram os eventos, qualificou a morte dos guerrilheiros das Farc como um "massacre" cometido pelas forças de segurança colombianas.
A deterioração das relações entre ambos países, por causa do incidente fronteiriço, também levou o presidente equatoriano a retirar o convite do governo colombiano para que assista à inauguração de uma planta de produção de etanol no departamento colombiano de Santander, no próximo 30 de março.
Adicionalmente, o comunicado da chancelaria precisou que o embaixador Suéscum chegará nessa noite em Quito. As investigações efetuadas pelos militares equatorianos na zona de Angostura, na floresta amazônica do nordeste do Equador, permitiram determinar que na madrugada do sábado aconteceu um bombardeio sobre uma base clandestina improvisada pelas rebeldes Farc.
Além disso, o Equador sustenta que tropas colombianas penetraram na zona para levar os cadáveres de Reyes e de Julián Conrrado, comandantes dessa guerrilha.
Ali se encontraram 11 cadáveres de guerrilheiros e, segundo últimos relatórios, três mulheres feridas desse grupo foram transferidas de Angostura para a cidade de Nueva Loja, a capital de Sucumbíos.
Matéria publicada no site do G1... interessante o assunto, só que Chavez pode estar errado em romper as relações diplomáticas com a Colômbia num sinal de enfrentamento com o imperialismo...
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Chávez manda fechar a embaixada em Bogotá
Presidente da Venezuela ordenou que funcionários deixem o local. Chávez vai enviar ainda batalhões para a fronteira com o Equador

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou neste domingo (2) que todos os funcionários saiam da embaixada em Bogotá, na Colômbia.

"Por favor, chanceler (Nicolás) Maduro, feche a embaixada e mande que todos voltem", afirmou Chávez. Ele ordenou ainda ao ministro da Defesa, Gustavo Rangel, que envie "dez batalhões para a fronteira com a Colômbia".

"Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império (Estados Unidos) e nem o seu cachorro venham a nos atacar", completou.

A ordem acontece menos de 24 horas depois de Chávez reagir à morte do número do 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sábado (1).

Para Chávez, foi um "assassinato covarde" o ato cometido contra Reyes pelos colombianos e ainda dedicou um minuto de silêncio ao chefe das Farc morto.
Saiba mais

Na noite de sábado, o mandatário venezuelano fez uma ameaça ao governo colombiano pela ação que fez em território equatoriano. A medida fez até Rafael Correa, presidente do Equador e parceiro de Chávez, a cancelar a viagem para Cuba até resolver o assunto com Álvaro Uribe, presidente da Colômbia.

O ataque
Militares colombianos mataram Raul Reyes em um ataque aéreo no Equador, desferindo um grande golpe na guerrilha, reportaram oficiais em Bogotá.

Uribe telefonou a Correa para falar com ele sobre a operação, mas não ficou claro se eles se falaram antes ou depois da ação. Reyes estava em um acampamento rebelde localizado a 1,8 km da fronteira colombiana-equatoriana, quando a força aérea da Colômbia começou a bombardear pouco depois da meia-noite de sábado, segundo o ministro da Defesa colombiano Juan Manuel Santos. Tropas de solo colombianas seguiram também para o esconderijo da guerrilha. Dezessete guerrilheiros e um soldado foram mortos na operação. "É o mais pesado golpe contra este grupo terrorista", disse o ministro da defesa colombiano.
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sábado, março 01, 2008

Carta de Indignação
FINATEC, UnB, crise de gestão e etc...

Nas últimas semanas centenas de denuncias tem sido veiculadas pela imprensa sobre a destinação das verbas da Universidade de Brasília. O escândalo dos diversos contratos da FINATEC demonstravam claramente desvio de sua finalidade estatutária na alocação de recursos. Desde investimentos em shoppings até uma decoração de meio-milhão de reais na casa do Reitor da UnB Thimothy Mullholand. A decoração chamou a atença de todos, já que enquanto o Magnífico morava em uma excelente cobertura no melhor prédio do Distrito Federal os estudantes da Universidade moravam em condições idiscritivelmente precárias.
A grave crise de gestão na universidade demonstra sua profundidade quando ela extrapol as cercas regionais e passa a ser manchete nacional, com a denuncia de uma revista de grande circulação sobre os contratos irregulares da FINATEC (Fundação de apoio da UnB) com diversas prefeituras brasileiras. Políticos importantes começam a fazer declarações públicas em defesa do Reitor da UnB. O Ministério Público do Distrito Federal que cumpri um papel fundamental encabeçando com seriedade a investigação nas contas da FINATEC é acusado por "leões de chácara" da administração superior da UnB como se ferisse a "autonomia universitária".
De qual autonomia universitária estamos falando? Aquela que deixa diversos laboratórios da universidade sem material, com falta de reagentes, estudantes alojados em situação isalubre, salas de aula sem ventilação, com goteiras, falta de professores, baixos salários e etc (podería gastar uma eternidade falando do abandono da UnB) e aprova o gasto de 470.000 reais na decoração do apartamento do Magnífico Reitor. Uma autonomia que garante privilégios para uma "casta superior" em detrimento da comunidade acadêmcia e da sociedade.
Diversos professores estão com medo de exporem seu posicionamento pelo afastamento do Reior, é isso mesmo, medo de perderem a pouca estrutura que possuem para trabalhar e realizar as reais finalidades da universidade que são: ensino, pequisa e extensão. Os estudantes bradam como uma voz independente e não temem as represálias, porque muitas vezes a dura realidade do dia-a-dia na universidade já é concretamente um ataque.
Temerosos com a mancha que paira sobre a forma de funcionamento das "fundações de apoio" dirigentes políticos, a ANDIFES e outras organizações tentam abafar a crise, convocam uma Audiência Pública pra dizer que o problema não são as fundações de apoio. E o que o MPDF demonstrou com suas investigações é que a FINATEC é só uma parte do que ocorre em todo o país com esta estrutura de organização. As fundações de apoio são usadas em todo o país como organizações laranjas que escoam o dinheiro público e seu papel é secundário e muitas vezes até irrisório no fomento a pesquisa, extensão ou ensino.
A tarefa central com todos so comprometidos com a defesa da Universidade Pública, gratuita e de qualidade é lutar para que ocorram as investigações, que todos os culpados possam ser punidos, que as fundações possam ser extintas da universidades públicas, que o Prof.Thimothy (principal figura nacional que representa este modelo de administração) possa ser afastado de seu cargo como uma demonstração que a má gestão e utilização do dinheiro público é um grave crime contra toda a sociedade.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008


Governo e oposição entram em acordo sobre cargos na CPI

Depois de muita discussão e grande pressão por parte da oposição, principalmente o PSDB que temia uma investigação focada no Governo FHC e Serra, PT e PSDB começam a se entender e consturar um ''acordão'' no qual ninguém deve sair ferido.


Após vários dias de discussão e com o direito regimental de indicar o Presidente e o Relator da CPI mista que pretende investigar a utilização dos cartões corporativos, o governo abriu mão do cargo para o PSDB. O nome de consenso é o da Senadora Marisa Serrano, considerada pelos governistas uma tucana moderada, que não deve criar grandes enfrentamentos com o governo. O PT deve indicar o ex-líder do partido o Deputado Luis Sérgio para a relatoria mas ainda não confirma.

Apesar da Senadora do PSDB afirmar que não tem medo das investigações do uso dos cartões no governo Fernando Henrique e também na gestão Serra em São Paulo, a principal tarefa que ela tem que cumprir como Presidente da CPI é não permitir que a batata asse para seu partido.

O Governo começa a costurar um ''acordão'' que tem como objetivo central não ferir nenhum dos reais culpados pela gastança do dinheiro público para beneficio próprio. Neste caso ficam protegidos os políticos que representam os interesses dos grande empresários, banqueiros e etc. A oposiçao (PSDB e DEM) também tem bastante compromisso com este objetivo.

Os movimentos sociais brasileiros tem a tarefa de construir uma campanha nacional por duras investigações sobre a gastança do dinheiro público seja pelos ministro do governo Lula ou dos governos tucanos. Enquanto governo e oposição de direita chegam a um acordo sobre a CPI ''laranja'', o novo salário mínimo é anunciado e deixa bem claro que o último lugar onde vai parar este dinheiro é no bolso do trabalhador. O aumento que deve ser publicado pelo governo através de medida provisória é irisório e não atende nem ''minimamente'' as necessidades de um cidadão.
Como já disse o próprio Fernando Henrique Cardoso, a disputa do PT e do PSDB não é programatica mais sim de poder.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Comentário sobre filme Tropa de Elite, vitorioso no festival de Berlim...
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Fascismo no cinema
...Brasileiros deveriam se envergonhar com o sucesso de "Tropa de Elite", um filme que desumaniza as vítimas da tortura policial....
Por Conor Foley - The Guardian (*).
A notícia de que "Tropa de Elite" ganhou o prestigiado prêmio "Urso de Ouro" do Festival Internacional de Berlim foi recebida com deleite no Brasil. O país deveria se envergonhar."Tropa de Elite" tornou-se o filme brasileiro mais popular de todos os tempos quando foi liberado ano passado. Estima-se que 11 milhões de pessoas assistiram às cópias piratas do filme antes do seu lançamento oficial, tendo quebrado recorde de bilheteria quando chegou aos cinemas.
O filme segue o sucesso de "Cidade de Deus", que conta a árida história de como as favelas em volta do Rio de Janeiro gradualmente caíram nas mãos dos traficantes de drogas. "Tropa de Elite" se baseia no mesmo tema, tendo início, cronologicamente, de onde "Cidade de Deus" terminou. A cena de abertura mostra um baile funk no qual adolescentes narcotraficantes dançam ao mesmo tempo em que abertamente sacodem suas armas automáticas. Dois policiais à paisana tentam armar uma cilada, que não sai como esperado. Eles acabam encurralados na favela, sendo resgatados com a chegada do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro), comumente conhecido como "Tropa de Elite".O filme é visualmente impactante e a trilha sonora contribui para o drama, mas a trama é deplorável e os diálogos são fracos. O enredo se desenvolve em torno do destino de três homens: Capitão Nascimento, o chefe do Bope, e dois policiais que ele resgata, Neto e Matias.
Nascimento quer abandonar a polícia, pois sua esposa está grávida, mas primeiro ele deve encontrar alguém que o substitua, sendo este evidentemente o modo como o sistema de recrutamento da polícia brasileira opera. Neto e Matias decidem entrar para o Bope e se submetem ao processo de recrutamento, que envolve, principalmente, duro exercício físico, porque, como nos é dito, essa é uma boa maneira de arrancar-se a corrupção pela raiz. Matias, que é negro, freqüenta a faculdade onde seus colegas, universitários brancos, sentados em círculo, discutem Foucault e condenam a brutalidade da polícia. Poderiam os clichês serem mais banais?Alguns dos estudantes, incluindo a namorada de Matias, estão envolvidos em um projeto social na favela, mas parece que não fazem muito além de fumarem maconha, fornecida por um traficante local. Eles são posteriormente assassinados pelos mesmos traficantes, que também mataram Neto e o desenlace sangrento do filme ocorre à medida que o Bope entra na favela atirando na busca dos assassinos.
O filme causou polêmica porque mostrou a polícia torturando mulheres e crianças para obter informações sobre o líder da quadrilha. Aparentemente, enquanto estava ocorrendo a filmagem no set, um oficial do Bope interrompeu os atores e lhes disse: "Olha, você está fazendo tudo errado. Você deve segurar o saco plástico assim, para que não fique nenhuma marca". Nos cinemas Brasil afora, as pessoas gritaram e aplaudiram durante a cena e o capitão Nascimento fictício, que é baseado em personagem real, foi amplamente aclamado como um herói nacional".
Ninguém nega a realidade na qual "Tropa de Elite" é baseado. Favelas como Complexo do Alemão parecem realmente zonas de guerra, onde a polícia é considerada um exército de ocupação. Mas o Brasil é também o país mais desigual do mundo e, ao ignorar as razões sociais da violência, o filme enaltece uma estratégia que por si só demonstra seu fracasso. Um governador populista do Rio uma vez ofereceu pagamento em espécie aos policiais que matassem criminosos, o famoso "bônus do oeste selvagem", mas a taxa de crimes continuou a aumentar.
Aproximadamente meio milhão de brasileiros foram assassinados na última década, o que torna o país mais violento do que a maioria das zonas de guerra. Os brasileiros estão zangados e com medo do que está acontecendo em seu país, procurando desesperadamente por soluções.
Em um determinado ponto no filme, Matias confronta um grupo de pessoas em passeata protestando contra a morte de seus colegas universitários assassinados, acusando-os de só se importarem quando a violência atinge a classe média. Demonstrações como estas são comumente organizadas por ONGs como "Eu sou da Paz", que também incrementa programas sociais em favelas. Uma série de estudos tem demonstrado que estes programas, que o filme extrapola ao difamá-los, têm obtido sucesso na redução dos crimes.
"Tropa de Elite" acusa a classe média brasileira de alimentar a onda de crimes através do consumo de drogas, o que é provavelmente verdade, mas sua mensagem excessivamente política é de cinismo e desespero. As cenas de tortura e violência não são apenas chocantes por causa do seu impacto, mas também porque desumanizam os moradores das favelas a quem são infligidas.
A violência no Brasil é um sintoma de um largo conjunto de problemas sociais, em relação aos quais os brasileiros devem assumir sua responsabilidade. A maioria da classe média brasileira nunca pôs o pé numa favela e fala sobre elas como se fossem outro país. Filmes como "Tropa de Elite" ajudam a mantê-la nessa alienação.

(*) Artigo publicado originalmente no jornal inglês 'The Guardian' em 18/02/2008, por ocasião da premiação do filme "Tropa de Elite" no Festival de Berlim. Tradução de João Paulo Gondim Cardoso, colaborador do Fazendo Media. Clique aqui para ler o original.
Universidades brasileiras continuam a cobrar irregularmente taxas para emissão de diplomas

Hoje a mídia denunciou as universidades brasileiras, tanto públicas como particulares insistindo em lesar os estudantes cobrando taxas para a emissão de diploma. Universidades Públicas que por príncipio não deveriam cobrar qualquer taxa chegam a pedir 150,00 reais de estudantes para emitir o certificado de conclusão do curso, já as universidades particularares que os estudantes pagam altas mensalidades para se manterem estudando, agora também precisam pagar caro para terem seu diploma. A reportagem indica que todos que foram lesados com tais taxas devem procurar o PROCON.

Os estudantes das universidades brasileiras devem se organizar e utilizar de todos os mecanismos institucionais, não institucionais para denunciar esta prática irregular cometida por várias instituições de ensino.

Se depender da UNE (União Nacional dos Estudantes) nada será feiro, já que esta abandonou a luta dos estudantes há bastante tempo.